quinta-feira, 5 de julho de 2012

Temas do Inverno 2013 segundo a Première Brasil



Começou hoje, 4/7, a sexta edição do Première Brasil, importante salão têxtil de tendências de origem francesa. Em conversa com a diretora de moda do evento, Pascaline Wilhelm, descobri os caminhos a serem trilhados no Inverno 2013.

De acordo com Pascaline, os trabalhos tiveram como ponto de partida o fio. “Trata-se de uma fantasia a partir do fio e trabalhamos com fios de diversos tipos: bouclé, moliné etc”. Trabalhou-se também com mesclas de fios. O algodão se mistura à materiais de diversas naturezas e ganha efeitos elásticos, metálicos e tantos outros.



Fala-se de um inverno “antitristeza”, que balanceia “Sombras” – tons fechados como bordô, verde escuro e violeta – com “Doçura” – tons pastel e cinza rebaixado – e “Consistência” – laranja, verde, azul, vermelho, tudo saturado. Essa proposta mais alegre firma-se em uma imagem opulenta, repleta de brilhos e efeitos metálicos, como é próprio dos tempos de crise.

Muito afeita a trabalhar com o excêntrico, Pascaline confessou ter de aliviar um pouco a mão em seus tão bem vindos exotismos. O inverno 2013 pode ser extravagante, mas referencia-se mais em Greta Garbo que em Lady Gaga.




Os contrastes, outro ponto bastante trabalhado pela francesa, são explorados a partir de misturas de novo e antigo: um taier de modelagem clássica feito com fios de cores amalucadas e tratado de modo a conferir nova configuração ao tecido. A cidade e a natureza são relacionadas de modo a surgirem opções para aqueles que precisem se adaptar às imprevisíveis mudanças climáticas. Nesse caso especial, o Japão e o aumento de temperatura subsequente dos acidentes nucleares são a referência. A brincadeira de gêneros, assunto tão forte na moda nos últimos anos, é explorada. No entanto existe uma ressalva. Se na malharia e no trabalho com tecido plano o intercâmbio entre moças e rapazes é mais livre – mulheres de camisa, homens de saia etc -, no jeanswear, o clima é mais tradicional. Apesar da febra das skinnies masculinas, as calças deles surgem pesadas e retas e as delas, mais leves e justas.











Por fim, Pascaline indica o caminho que acredito ser o principal: Sensações. A proposta é atribuir valor ao tecido de modo a potencializar ao máximo a experiência do toque. A tecnologia têxtil, de acordo com os estudos de Wilhelm e equipe, passa a ser a melhor amiga do estilista. Sou partidário da opinião de que o campo do desenho já está mais do que saturado. Não há mais mangas, saias, calças ou formas a serem inventadas. Portanto, a saída para o estilista que quiser se diferenciar da massa é o investimento no tecido, na alma da roupa. Quer seja o denim resinado que imita o couro, a musselina desfiada que sugere a textura de pele, o algodão maquinetado que confere humor à camisaria ou qualquer outra invencionice que se possa imaginar. 










O universo da tecnologia têxtil encerra milhões de possibilidades e ainda é olhado meio de viés pela jovem guarda das modas. O recado da Première Brasil se faz mais veemente nesta temporada: os tecidos são o futuro!

Um comentário:

  1. Olá, achei o seu blog no "Hoje vou assim", e gostei bastante ^^
    bjus ;*

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