segunda-feira, 30 de julho de 2012

Síntese – com Consuelo Blocker


Eram os deuses astronautas? Não sei ao certo, mas de uma coisa tenho certeza: não eram fashionistas! Não sei tembém em que parte do caminho criou-se essa ideia de que a força de trabalho das modas – modelos, jornalistas, produtores, editores etc – faz parte de uma categoria humana acima do bem e do mal. Uma novidade: nas modas não existem nem semideuses, nem titãs implacáveis. O que existe são pessoas de carne, osso e com dúvidas e sentimentos muito parecidos com os seus. Foi pensando nisso que bolei o Projeto Síntese, que consiste em uma série de breves entrevistas que versam sobre coisas essenciais e triviais da vida de maneira rápida. Uma síntese.

Para abrir o segmento, Consuelo Blocker. Dona de um sorriso que faz a gente querer rir junto, ela tem a moda correndo nas veias. É neta de Gabriela e filha de Costanza Pascolato e é uma verdadeira “cidadã do mundo”. Roda os quatro cantos do globo atrás das tendências que divide conosco no blog Moda, Estilo e Afins. Sem mais delongas, a síntese de Consuelo:

Qual das suas viagens tocou mais fundo?
Adoro viajar, e tem muitas que adoro.  Mas aquela à África em 2011, foi incrível!! Fiz um relato de 10 capítulos no blog que achei bem bacana.

Consuelo na África
Arco íris na África registrado por Consuelo no Moda, Estilo e Afins

Qual foi a última vez em que você ficou muito triste?
Fiquei muito triste quando a Blanchinha, a nossa governante que tinha 97 anos morreu em dezembro.

Você foi uma criança arteira?
Eu sempre fui super certinha, boa na escola, fazia tudo que meus pais queriam, sempre procurei aprovação deste jeito.

Consuelo e FamíliaA família toda junta no Moda, Estilo e Afins

O que a sua mãe fazia quando você era criança que te tirava do sério?
Fiquei chateada uma vez que ela disse que ia me levar a um evento e no fim não levou...


Quando é a hora certa de dizer tchau?
Quando vc sente que a conversa começa a ficar devagar...ou quando já deu o que tinha que dar.  Acho importante manter a dignidade!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

DROPS: Novo clipe do Justice dá aulinha de moda

Eu AMO Justice! As músicas são muito legais e os clipes são ótimos. Recentemente, foi lançado o vídeo da música New Lands, do álbum mais recente Audio Video Disco.

Qual foi a minha surpresa quando vi que o clipe explora uma das estéticas que promete dominar as modas na próxima temporada: o retrofuturismo!

Aulinha de semântica: Retro quer dizer passado e Futurismo quer dizer futurismo mesmo. Trocando em miúdos, a estética retrofuturista explora as ideias de futuro de tempos passados. É uma brincadeira de faz de conta meio esquisita em que se imagina como as pessoas de anos atrás imaginariam o futuro, com suas roupas, aparatos e afins.

Ainda não entendeu? Assiste ao clipe então ;)


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Temas do Inverno 2013 segundo a Première Brasil



Começou hoje, 4/7, a sexta edição do Première Brasil, importante salão têxtil de tendências de origem francesa. Em conversa com a diretora de moda do evento, Pascaline Wilhelm, descobri os caminhos a serem trilhados no Inverno 2013.

De acordo com Pascaline, os trabalhos tiveram como ponto de partida o fio. “Trata-se de uma fantasia a partir do fio e trabalhamos com fios de diversos tipos: bouclé, moliné etc”. Trabalhou-se também com mesclas de fios. O algodão se mistura à materiais de diversas naturezas e ganha efeitos elásticos, metálicos e tantos outros.



Fala-se de um inverno “antitristeza”, que balanceia “Sombras” – tons fechados como bordô, verde escuro e violeta – com “Doçura” – tons pastel e cinza rebaixado – e “Consistência” – laranja, verde, azul, vermelho, tudo saturado. Essa proposta mais alegre firma-se em uma imagem opulenta, repleta de brilhos e efeitos metálicos, como é próprio dos tempos de crise.

Muito afeita a trabalhar com o excêntrico, Pascaline confessou ter de aliviar um pouco a mão em seus tão bem vindos exotismos. O inverno 2013 pode ser extravagante, mas referencia-se mais em Greta Garbo que em Lady Gaga.




Os contrastes, outro ponto bastante trabalhado pela francesa, são explorados a partir de misturas de novo e antigo: um taier de modelagem clássica feito com fios de cores amalucadas e tratado de modo a conferir nova configuração ao tecido. A cidade e a natureza são relacionadas de modo a surgirem opções para aqueles que precisem se adaptar às imprevisíveis mudanças climáticas. Nesse caso especial, o Japão e o aumento de temperatura subsequente dos acidentes nucleares são a referência. A brincadeira de gêneros, assunto tão forte na moda nos últimos anos, é explorada. No entanto existe uma ressalva. Se na malharia e no trabalho com tecido plano o intercâmbio entre moças e rapazes é mais livre – mulheres de camisa, homens de saia etc -, no jeanswear, o clima é mais tradicional. Apesar da febra das skinnies masculinas, as calças deles surgem pesadas e retas e as delas, mais leves e justas.











Por fim, Pascaline indica o caminho que acredito ser o principal: Sensações. A proposta é atribuir valor ao tecido de modo a potencializar ao máximo a experiência do toque. A tecnologia têxtil, de acordo com os estudos de Wilhelm e equipe, passa a ser a melhor amiga do estilista. Sou partidário da opinião de que o campo do desenho já está mais do que saturado. Não há mais mangas, saias, calças ou formas a serem inventadas. Portanto, a saída para o estilista que quiser se diferenciar da massa é o investimento no tecido, na alma da roupa. Quer seja o denim resinado que imita o couro, a musselina desfiada que sugere a textura de pele, o algodão maquinetado que confere humor à camisaria ou qualquer outra invencionice que se possa imaginar. 










O universo da tecnologia têxtil encerra milhões de possibilidades e ainda é olhado meio de viés pela jovem guarda das modas. O recado da Première Brasil se faz mais veemente nesta temporada: os tecidos são o futuro!

domingo, 1 de julho de 2012

Sobre Modas e Críticas

Blogueira Shame Augusto Paz

Todo mundo precisa ter opinião sobre tudo: concorda com uso de peles na moda? Gosta de saia mullet? E de tênis com salto alto? Não ter a resposta na ponta da língua pode ser fatal!

Recentemente, por um descuido, foi desvelada a identidade da Blogueira Shame. Para quem não sabe, a página era dedicada exclusivamente a expor as barbaridades publicadas pelas blogueiras de moda da nossa Pindorama Fashion. O look do dia virava Loka do Dia, o retoque infame de imagem ia para a galeria de “Toscoshop” e os tutoriais de “faça você mesmo” mais absurdos do mundo eram mostrados em toda sua absurdeza. Descoberta a suposta identidade da “titia Shame”, uma multidão de blogueiras fez festa no Twitter, levando o termo “Shame” aos trending topics das 15h15 às 17h30 e pedindo a cabeça da moça, agora identificada, em uma baixela de prata.

cortem-lhe a cabea!
Ilustra de Rafa Simón

Ora, já que estamos no mundinho das opiniões, dou cá meu pitaco. As proporções matemáticas são muito enganosas e por isso digo de boca cheia que já passei um quarto da minha vida trabalhando com moda (HAHAHAHAHAHA tenho 20 e estou no métier desde os 15). Uma das coisas que percebi, principalmente no último semestre, quando fui trabalhar com mídia social e as modas se tornaram minha atividade secundária, é que o mercado de moda é incrivelmente intolerante a críticas.

Não estou tomando as dores de ninguém ou hasteando a bandeira da titia Shame. Há quem diga que suas críticas, de ácidas tornaram-se ofensivas, mas não acompanhava o blog de perto e não posso tomar partido. Verdade seja dita: a blogosfera de moda é um grande alfarrábio de bobagens salpicado de poucas páginas que valem a pena serem lidas e a Blogueira Shame, agressiva ou não, prestava um serviço e esfregava nos nossos petulantes narizes que as bloguettes da vida estavam muito mais preocupadas com o publipost que com a sustância e relevância de seus conteúdos.

Debi...

Concordo com José Gayegos, outro de língua afiada, quando diz que a moda brasileira às vezes parece um celeiro de caipiragens. Jornalistas são retaliados pelas assessorias quando fazem críticas e ninguém pode ousar questionar o trabalho do darling du saison. É um status quo que engessa o florescimento da nossa tão procurada identidade de moda e nos mantém patinando num limbo de mediocridade e de elogios automáticos.

Não há como evitar críticas. Quem não quer ouvi-las não deveria sair da cama – isso se morar sozinho, porque se morar com os pais, eles lançarão uma saraivada delas. Estou longe de ser um baluarte do jornalismo de moda, sei que estou engatinhando no mercado, mas também sei que meus estudos me chancelam a identificar uma roupa mal executada ou uma coleção conceitualmente fraca – já trabalhei fazendo roupa e converso muito com quem trabalha com isso.

Nesse meu minúsculo quarto de vida trabalhando com moda, jornalismo e mídia social, o que não me faltaram foram críticas – umas mais sutis, outras aterradoras. Posso dizer que cada uma delas me valeu de alguma coisa: aprendi a fazer uma barra melhor, a cortar um molde melhor, a amarrar um texto melhor, a ignorar críticas infundadas e assim foi…

Marvadeza Blogueira Shame

Ferina, malévola, paladina… atribuam o predicado que melhor lhes aprouver à Blogueira Shame, mas o fato é que essa situação toda deve servir para nos abrir os olhos quanto à qualidade do conteúdo – ou quanto à falta dele – que se endeusa na rede e sobre como os egos de algumas dessas meninas que estampam as páginas do BS estão inflacionados.