segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pitacos sobre a Casa de Criadores



A convite do Closet On Line, fui cobrir o último dia da Casa de Criadores, incubadora de novos talentos da moda nacional. Desta vez, os desfiles aconteceram no Memorial da América Latina, na Barra Funda. Eis aqui os meus vinténs sobre a edição:

Viva os concretistas! As referências à essa estética se fizeram presentes nas coleções da Jacinto, dirigida pela dulpa Glaucio Paiva e Douglas Pranto, e Virgílio Couture, encabeçada por Virgílio Andrade. A prmeira marca, como sempre, muito chic. costura para uma mulher elegante e que não tem medo de sair do "arroz-com-feijão" da moda cintura marcada, tão propalada na nossa Pindorama Fashion. 

Fazendo boa estreia, Virgílio, que já foi assistente de Samuel Cirnansck, deu mostras de que absorveu bem os ensinamentos do ex-chefe. Digo isso pelo primoroso acabamento de suas peças, que poderiam ser tranquilamente vestidas pelo avesso.  trabalho de retecidos do estilista é também muito interessante. Estou ansioso para ver outras criações.

Jacinto 

Virgílio Couture

Se oriente, rapaz! Preste atenção à nova tendência-polêmica que volta com cara de nova, mas que já é mais velha que andar pra frente: macacões e jardineiras! Para eles, princpalmente. A peça já deu o ar de sua graça no desfile da Colcci, no SPFW e deu as caras novamente na passarela da Casa de Criadores, nos desfiles de Luiz Leite e Jadson Raniere. Melhor garantir o seu agora antes que inflacione!

Luiz Leite

Bossa & Fossa Não sei se é frescura do bloguista que vos fala, mas senti algo de pesado na atmosfera da CdC... não sei bem se estava sugestionado pelo clima estressante do final do semestre, mas parecia estar suspenso um não sei quê de tristeza que foi potencializado com a parada súbita da música ao final dos desfiles, deixando no ar apenas o silêncio da plateia... #TortaDeClimão

O que importa é que houve momentos de descontração. A coleção da Juss, por exemplo, propôs um rapazinho mezzo nerd, mezzo esportista, vestido de neoprene e estampado de Guilherme Kramer, talento das artes plásticas - isso sem contar os gananciosíssimos sapatos. Juliana Souza sempre traz uma boa dose de humor a suas peças, mas sem cair no literal nem no ridículo.



Outro ponto divertido foi a participação da banda Mustache & Apaches no desfile da marca de roupa de praia Sta Victória. A coleção em si, pouco cativante: pouco styling para uma etiqueta de trajes de banho, estamparia de gosto duvidoso e entradas infinitas. A banda, no estanto, sustentou o look e contagiou a plateia com o ritmo rebolante do Ragtime Jazz.



Comendo pelas beiradas Disse na minha resenha oficial, publicada no Closet On Line, que Alê Brito parecia aquele menino que estudou contigo no primário. Sabe, aquele bem quietinho que só ficava observando, mas que quando abria a boca deixava a professora, os colegas e a merendeira que estava passando no corredor estarrecidos? Pois! Este é Alê Brito. O estilista tem um trabalho que impressiona tanto pelo seu apelo estético quanto pela qualidade de sua execução. Em um país onde a mão de obra do setor têxtil é pouco qualificada e muito escassa, Alê tira costureiras da cartola para confeccionar suas bonitas jaquetas de couro e de materiais iridescentes - minhas prediletas, aliás. Outro fator pelo qual se deve apreciar seu trabalho, é a capacidade de trabalhar um tema já tão saturado: o punk e sua estética, de forma que o produto final resulte diferente e desejável. Allez, Alê!


Não é bairrismo! Apesar dos pesares, gosto muito de Santo André, minha terra natal. Passei a gostar mais ainda quando descobri que ela é um celeiro de talentos das modas! O editor André Rodrigues e o estilista Arnaldo Ventura são alguns dos meus competentes conterrâneos. Gosto do trabalho de Arnaldo porque ele não se limita apenas à roupa.Assim como não se deve entregar um presente desembrulhado, não se deve apresentar uma coleção por apresentar.Por mais simples que seja, a produção em volta das roupas contribui muito na transmissão da ideia do estilista. Arnaldo, assim como Ronaldo Fraga e Alberto Hiar, da Cavalera, é muito competente na produção de seu mise-en-scène. Desta vez, sua apresentação foi mais enxuta, mas nem por isso tediosa. O tédio, aliás, passou longe de sua coleção. O desfile foi um banquete de texturas e modelagens interessantes. Um estilista, quando munido de boa técnica e boas ideias, faz verão, sim senhor!


Ficamos no aguardo da próxima edição. 

Um tchauzinho da Juliana Souza, da Juss

segunda-feira, 18 de junho de 2012

SPFW verão 2013 - Separando os homens das crianças


Fotos: Reprodução

Eis que terminou mais uma temporada. As modelos foram, posaram para as fotos, voltaram para o camarim; os editores elogiaram, criticaram, ficaram em cima do muro; os estagiários sofreram; os tilangos roubaram os poucos brindes da fila A; as blogueiras secaram o estoque de espumante dos lounges; as bloguitas trabalharam melhor que muito jornalista e assim nós fomos vivendo de amor durante a São Paulo Fashion Week que mostrou as referências do verão de 2013.

Assisti a poucos desfiles, 7, 8, no máximo, por causa dos meus horários – fiz jornada dupla. Saía do escritório e ia voando até a Bienal –, mas mesmo assim consegui desenvolver minhas percepções sobre a temporada e aqui vão meus pitacos:


Calendários e Balancetes – Em virtude do adiantamento da temporada de Inverno 2013, prevista para outubro próximo, as coleções apresentadas nesta SPFW foram bem mais modestas. Até Lino Villaventura, muito afeito a exageros e teatralidades, segurou a mão. O sentimento geral é que os estilistas, que sempre nos fazem rebolar para entrar em suas roupas apertadas, tiveram de quebrar a cabeça para fazer com que suas criações coubessem no orçamento. O que, de fato, é muito bom, pois de certa forma essa limitação separou os homens dos meninos, principalmente em se tratando de etiquetas que não são respaldadas por grandes conglomerados. Destacou-se quem soube desenvolver seu trabalho com menos recursos, mas sem se distanciar da identidade de sua marca.


João Pimenta – Esse foi um dos desfiles que me deu aperto no coração de ter perdido. O trabalho de João está num crescente e a declaração de que o estilista esteja se adequando ao mercado não deve ser recriminada, mas sim festejada. Afinal de contas, o que move o mundo é o dinheiro e os estilistas precisam dele para viver. A cada temporada, ele revela maior apuro no que tange a tecidos e acabamento. Gosto muito!


Engasgos – Quem convive comigo sabe que eu soluço e engasgo muito. É que tenho refluxo gástrico. As modas me fazem soluçar muito menos que meu sistema digestivo, mas quando o fazem, é forte! Ronaldo Fraga e Samuel Cirnansck foram os responsáveis pelos nós na garganta da minha temporada.

O primeiro emocionou com uma coleção mais comercial muito bem amarrada e interessante. As produções de Ronaldo traduzem perfeitamente a índole mineira: convidativa, amistosa, tépida. O texto que encerrou o desfile me deixou meio catatônico. Palavras que descreviam os encantos do Pará, estado que inspirou a coleção, mas que mesmo que tão regionais, soavam universais, pois falavam de um sentimento humano, um sentimento sem nome ainda. Saudade? Talvez... só sei que me despertou e chamou a atenção. E não é isso que a moda tem que fazer?


Samuel não só emocionou como sambou na cara de muito jornalista! Antes tido como um dos motivos de riso do line-up, Cirnansck provou que seu apuro e que a qualidade técnica de seu trabalho são capazes de superar os preconceitos de muita gente que prefere julgar do alto de suas torres de mentirinha a colocar a mão na massa e conhecer o trabalho do estilista. Aliás, conversando com Samuel no camarim, a revelação de que foi necessária uma reforma em seu ateliê para abarcar a ampliação de seus negócios. Há três anos, fiz entrevista de emprego no lugar e digo para vocês, já era bem grande! Uma felicidade saber que o bom trabalho de Samuel está sendo prestigiado e recompensado.


Papelão – Não me refiro às divertidas franjinhas nos vestidos de alguns modelos de Ronaldo Fraga, feitas do material, mas ao segmento publicado pelo Site Chic “Chic or Shame”. Já é notório que o veículo não é lá muito afeito às blogagens e afins, o que é bastante justificável vide a quantidade de porcarias e desserviços publicados em blogs, mas expor as blogueiras a esse papel ridículo contraria em completo a linha editorial do veículo, um dos mais respeitados do meio, e o próprio discurso de sua criadora, Glória Kalil, defensora de que não existe “certo” e “errado” na moda. Não sei de quem partiu a decisão de integrar a seção à cobertura do site, nem quero saber, mas acredito piamente que foi uma decisão descabida e fora de contexto. Vamos deixar isso para a Blogueira Shame.


Literatura – Gostaria muito de saber quando os estilistas vão se dar conta de que release não é hai kai. Explicando: por mais que os olhos do jornalista estejam treinados, às vezes é difícil decifrar qual o tecido usado naquele blazer ou se aquela aplicação no vestido era uma pedraria ou um chatón. O release, texto de divulgação produzido pela assessoria de imprensa da marca ou pelo próprio estilista, deve conter todas as informações técnicas e conceituais da coleção, no entanto, há quem prefira se perder em versinhos descabidos e em premissas poéticas pra a de chatas. Os jornalistas agradecem. Só que não.



Cala a boca, Augusto – Faço as vezes da Bárbara da música do Chico e calo a minha boca. Eu que reclamava que há temporadas a Osklen não apresentava nada de interessante, me surpreendi com sua última coleção. Ouvi que Oskar Metsavaht pretendia revisitar referências dos verões passados da marca e já torci o nariz esperando mais uma coleção autorreferencial. Só que caí do cavalo! A etiqueta apresentou modelagens muito interessantes e um trabalho de materiais e texturas muito bacana! Desejei bastante a jaqueta em nylon iridescente.


Cala a boca, Augusto (Parte II) – “Augusto, você cobre Colcci?” perguntava Cecilia Lima, minha editora e mainha das modas. Eu respondia que sim, mas contrariado. Os desfiles eram tumultuados por causa da enorme quantidade de famosos na sala e na passarela e a coleção, bem... não era lá essas coisas... Pois que nesta temporada tive uma grata surpresa! Primeiro com a não-participação de Ashton Kutcher e depois com a qualidade da coleção. Bem amarrada, bem executada e muito bonita! Dez pontos pra Grifinória e pra Colcci!


Edward Mãos de Tesoura – O personagem de Tim Burton invadiu as modas de vez. Não como referência visual e sim como cortador em confecção. Sua primeira ação foi decepar as partes dianteiras das saias das fashionistas. Uma profusão de saias mullet desfilou pelos corredores e passarelas da SPFW. Não aprecio muito, mas não recrimino. O que é de gosto...


Queria Forum, só tinha Prada – A Forum é uma das marcas mais tradicionais do país. Criada por Tufi Duek, por meio de sua moda jeans muito bem feita, prestigiava o corpo da mulher brasileira. A marca se ausentou da semana de moda por um tempo e anunciou sua volta para a semana passada. Fui ao desfile na expectativa de assistir a um desfile que reafirmasse o statement da marca, mas fui surpreendido por uma dublagem das estampas de fruta da Dolce & Gabbana e dos conjuntinhos da Prada. Verdade seja dita, a coleção era extremamente coesa e bem produzida, mas quando as luzes da sala de desfile se acenderam ficou o gosto de que era a coleção certa para a marca errada...


No mais, uma São Paulo Fashion Week que pode não ter contado com tantos recursos quanto sua edição anterior, mas que foi certamente mais interessante, pelo menos do meu ponto de vista. Fica a prova de que a criatividade é amiga da necessidade e da falta de dim dim.



Tchau, SPFW e até outubro!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Músicas para o Dia dos Namorados

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Os momentos mais marcantes de um namoro, ou de um rolinho ou de qualquer ocasião romântica, pedem uma trilha sonora especial. Por isso que pedi para meus dois romanticíssimos amigos Igor Dadona e Cláudia Tambasco me ajudarem com uma playlist especial para o seu Dia dos Namorados.

Porque nessa data tão emocionante, você precisa de uma música…

Para ouvir sozinho tomando sorvete: Duffy – Syrup and Honey
Sorvete sabor recalque com mel é tudo de bom! No melhor estilo Bridget Jones

 

Para ouvir contemplando um dia nublado e chuvoso: Luz Casal – Un Año da Amor
Recalque produto exportação, vindo diretamente da Espanha, com direito a dramas e travestismos do Almodóvar

 

Para ouvir sozinho jogando os presentes que ele deu fora: Beyoncé – Listen
Porque você é uma mulher forte e independente, que não precisa de nenhum homem! A-ham…

 

Para ouvir sozinho chorando: Filipe Catto – Teu Quarto
Porque a gente chora na cama, que é lugar quente

 

Para ouvir sozinho rasgando as fotos: Natalia Imbruglia – Torn
Rasgar as fotos é um clichê, então nada melhor que a música de recalque mais clichê de todas

 

Para ouvir sozinho stalkeando (porque a gente ainda não esqueceu 100%): No Doubt – Don’t Speak
Sobrancelha mal feita da Gwen Steffani

 

Para ouvir sozinho enchendo a cara (porque a gente está se esfoçando para esquecer): REM – Everybody Hurts
Não que a gente precise de uma música específica para encher a cara, mas…

 

gotye recalqueE viva o recalque!

Feliz dia dos namorados :)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Vish!: Dica de presente para o Dia dos Namorados





Ganhar presente é MUITO BOM! Ainda mais sendo de quem a gente gosta. Dar presente também é muito bacana, mas quando a gente ganha, se sente mais querido ainda. E pode falar o que for, que dia dos namorados é uma data comercial, que fomenta o capitalismo selvagem e o que for, mas aposto que o Marx ia se derreter se ganhasse uns miminhos de vez em quando – e quem sabe apararia aquela barba...




O presente bom deve preencher dois requisitos: ser sincero e durar bastante. Ora, se a intenção da coisa toda é ter uma lembrança da pessoa querida, por que presentear com algo que vai se desmanchar em pouco tempo? Lipovetsky e seu Império do Efêmero que me desculpem, mas presente bom é presente duradouro!




Gosto muito de ganhar roupas e de presentear com roupas. Primeiro porque é uma lembrança que, quando bem feita, dura mais e ajuda a aliviar a distância. É um pedacinho de quem a gente gosta e que fica conosco, bem pertinho nesse caso. Uma camisa, uma calça, um casaco deixam de ser simples pedaços de tecido costurados e passam a ser abraços que levamos conosco aonde quer que formos.




A nova coleção da Vish!, uma marca bacanérrima sobre a qual já falei aqui no blog, tem muito a ver com esse espírito de entrega do ato de presentear e do Dia dos Namorados. De acordo com Luiz Wachelke e Andréia Passos, os estilistas da marca, a coleção For Life, fala sobre apego, afeto, preciosismo e coisas que queremos guardar pra vida toda. São peças especiais feitas com tecido excelente e com um acabamento de chorar de tão lindo – sou muito chato com essas coisas -, todas com tiragem limitada, porque se presente já é bom, presente exclusivo é melhor ainda!

Jaqueta College em jacquard exclusivo Vish!, calça de alfaiataria em veludo roxo escuro, camiseta Scott e calça de alfaiataria em veludo amarelo

 Camiseta Ludovico, Parka Gold e  Calça de Veludo Mostarda; Camiseta Gem e Pantalona em Jacquard


Não perca tempo e dê aquela fuçadinha básica na loja online da Vish! E tem uma promoção muito da gananciosa: Na compra de duas peças ou de uma peça com valor acima de 200 dinheiros, o envio é de graça. Que boiada, hein? E nem precisou levar pra jantar!

Agora, se não tem namorado, presenteie-se, porque você merece também!