segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pompa e circunstância? Como é o “Cavalheiro Moderno”?


Chuck Bass

“Como está você? Consente-me que eu a reconduza a sua cadeira? Posso merecer a felicidade de acender seu cigarro? Boa noite” dizia o rapaz de fraque à moça de cloche em uma tira da Revista O Cruzeiro de 1928.

Os tempos mudaram. O Charleston caiu de moda, surgiram os métodos contraceptivos e as mulheres passaram a usar calças compridas. Acontece que no meio de tudo isso, os cavalheiros parecem ter ficado para trás. As mulheres conquistaram independência e isso confundiu os homens. Parece que o discurso por direitos iguais resultou em tratamentos iguais - e não no bom sentido. Não é preciso fazer nenhuma pesquisa antropológica para flagrar rapazes tratando suas namoradas como se fossem seus companheiros de truco. Mas então, que deve fazer o rapaz que deseja ser um verdadeiro Gentleman Moderno sem cair no tom antiquado do primeiro parágrafo?

“Acho que gentleman hoje em dia é o cara que não tem problemas em dividir tarefas tidas como femininas, como lavar louça, por as suas roupas para lavar e até mesmo ir na farmácia comprar absorvente pra namorada!” Diz a blogueira Narda Negrão. Mais do que anéis, buquês de flores e chocolates, parece que as mulheres se satisfazem com pequenas gentilezas corriqueiras. Aquelas antigas regras como abrir a porta do carro e puxar a cadeira para ela se sentar ainda estão em voga! “Essas coisas mostram que o cara está cuidando de mim e me fazem sentir querida” Diz Vanessa Madalena Santos, que trabalha na seção de eventos da Editora Abril.

Amô

O manual do Cavalheiro Moderno, entretanto, tem capítulos que vão além das pequenas finezas citadas acima. O designer paulistano Jorge Guberte define: “Acho que um cavalheiro moderno é um cara compreensivo que sabe ceder e que sabe reconhecer a força da mulher. Não impõe, mas também não se submete. Enfim, dialoga com a dama moderna em pé de igualdade”. Respeito parece ser a chave que ajuda a resolver o secular enigma que pretende desvelar as vontades femininas. Cris Guerra, blogueira do Hoje Vou Assim acrescenta: “O cavalheiro moderno sabe ouvir a mulher e se permite mudar de opinião, convencido pelos argumentos dela. A conversa dele com ela é ponderação, não é imposição de ponto de vista”.

A questão do cavalheirismo expande as fronteiras do relacionamento amoroso. “As pessoas não se respeitam mais hoje!” Reclama a editora de moda do portal Closet On Line, Cecilia Lima “Eu vejo isso pelas viagens de avião que faço. É um salve-se quem puder! Todo mundo se empurrando... e o pior” Ela comenta “É quando o cara vê que você está com uma bagagem de mão pesada e não faz o menor esforço para te ajudar com o bagageiro!”. De fato, a mulher moderna precisa de um cavalheiro que compreenda suas necessidades modernas. “Além de fazer um esforço para se lembrar das datas importantes, é fundamental que ele não fique xeretando no meu email e no meu facebook!” Recomenda a jornalista Liliane Ferrari. O respeito é uma constante e atesta-se que não existe cavalheirismo sem ele. De que vale um presente caro ou um elogio pontual se não existe respeito? Sem ele tudo soa meio falso.

cavalheiro

Mas e quando o assunto é entre homens, apenas? As mulheres já estabeleceram um “regulamento” tácito que diz que é o homem quem paga o jantar, abre a porta do carro e as busca em casa. Mas e no mundo gay, em que se baseia o cavalheirismo? Constata-se que se entre os casais hétero o cavalheirismo tem como intenção, mesmo que velada, o cortejo e o coito; entre os casais gays todo esse protocolo tem como objetivo manter o equilíbrio da relação. Existe um revezamento entre quem busca quem em casa ou entre quem paga a conta do restaurante. Aqui não é necessário abrir a porta do carro ou presentear com um ramo de flores por semana. O que basta é educação e respeito – olha ele aqui de novo!

Agora, em um quesito hétero e homossexuais concordam: poucas coisas são menos cavalheirescas que enterrar a cara no smartphone durante um encontro!

cavalheiros guedes

Não existe cartilha nem receita de bolo! Nos dias de hoje o que manda é o bom senso. Portanto, rapazes, tratem de colocar a boa educação em prática. O gentleman de nossos dias dispensa fraque e cartola. Basta colocar-se no lugar do outro – ou da outra -, prestar atenção na pessoa amada e, acima de tudo, respeitá-la.

Um comentário:

  1. Você escreve muito bem, gosto muito de todas as suas postagens, mas esta em especial me conquistou. Parabéns!

    www.chadefutilidade.com

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