sexta-feira, 9 de março de 2012

Legitimação: O “Assino Embaixo” da Moda

Fashion Bizarre"Amiga... você tá... exótica..." - Desfile da Little Shilpa na semana de moda de Bombaim

Da Língua Portuguesa, ato ou efeito de legitimar; justificação. O termo vem da palavra “Legitimar”, que significa tornar legítimo, reconhecer autêntico, justificar (definição do Dicionário Priberam de Língua Portuguesa).

Trocando em miúdos, legitimar é o bom e velho “assinar embaixo”!

Na moda, a tal da legitimação tem um papel muito importante. É sabido que desde o surgimento do fenômeno que chamamos de Moda, existe uma dinâmica de criação, cópia e descarte que movimenta as engrenagens desse mercado. No entanto também sabemos que o inédito causa estranhamento e repúdio – vale a pena ler “A Conquista da América” do Todorov para entender melhor a estranheza e o repúdio que o novo causam.

Índios
Os índios naõ curtiram muito o “estranhamento” dos colonizadores espanhóis…

Ora, se o motor da moda é a novidade e se a novidade gera estranhamento, como ficamos? Permanecemos estacionados no mesmo arroz com feijão das modas eternamente? É aí que entram em cena os “mecanismos de legitimação”. O nome é esquisito, mas o esquema é bem simples. Grosso modo, são eles quem, de certa forma, “autorizam” socialmente o uso de uma tal moda nova. No campo das artes acontece da mesma maneira. São os mecanismos de legitimação – a imprensa, a crítica etc – que definem o que é arte boa e o que é charlatanice.

Quem explica essa dinâmica muito bem é a minha querida amiga Cris Guerra, do Hoje Vou Assim. Em texto para a Revista Ragga, Cris fala sobre a onda das barras viradas:

“Funciona  assim. Alguém me  conta que  a Katie Holmes está usando jeans enroladinho na barra, eu confirmo a notícia no Google e então me sinto no direito de usar também. No dia seguinte vou feliz para o trabalho, usando aquela calça cuja barra eu não queria cortar, por pura preguiça. Aliviada, pois a Katie Holmes assinou embaixo. Eu, que já usei o jeans com a barra enroladinha no verão de 2003, mas não tenho como provar. Aí publico minha foto no blog usando o jeans enroladinho na barra e autorizo outras centenas de mulheres a usar também. Cada uma delas autoriza umas cinco amigas e pronto. O jeans com a barra enroladinha conquista o mundo”.

SPL42493_003Katie Holmes usando as calças de Tom Cruise com direito a barrinhas dobradas

Se uma reles mortal fosse fazer compra do mês com as barras da calça dobradas, seria considerada ridícula e sofreria bullying da caixa do estabelecimento. Mas, como foi a Katie Holmes quem apareceu em público com as canelinhas de fora, tudo bem! Por que isso? Porque, pelo menos em moda, as opiniões e escolhas da atriz são respeitadas. Isso porque ela exerce poder e influência sobre as pessoas. É o que em Sociologia é chamado de Poder de Referência, mas ísso é assunto para outro texto.

Recentemente, podemos identificar como duas forças legitimadoras as cantoras Lady Gaga e Adele. A primeira chancelou uma legião de fashionistas a experimentar, tentar e nem sempre acertar com roupas diferentes, combinações estranhas e inusitadas; Adele… bem, parece que a Adele fez com que o mundo permitisse os quilos a mais na silhueta feminina.

lady gagaAdele

Agora, cá entre nós, da mesma forma que seria muito chato se as nossas mães ainda escolhessem as nossas roupas, é muito bobo ter que esperar que um famoso X, ou um editor Y nos dê o aval para vestirmos o que quisermos. Pense nisso quando bater aquela vontade de passear vestindo aquela blusa esquistinha de que você tanto gosta ou quando bater aquela comichão de sair para dançar com o tal vestido que você amou, mas que suas amigas disseram que é cafona. Quem sabe VOCÊ não inspira outras pessoas e se torna um Legitimador?

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