sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sobre a Cafonice Intrínseca

Antes de começar o post, um alerta: este texto contém dosagens consideráveis de ironia. No caso de não compreensão, sugiro a visita a algum blog de esmalte do dia :)

Recentemente, tive publicado na Revista Iara - uma das únicas publicações científicas de moda do país - um artigo meu que fala sobre a influência do Modernismo no vestir das mulheres paulistanas na década de 1920. O texto é composto por alguns escritos meus que fazem parte de um trabalho que realizei em grupo no ano retrasado, na Universidade de São Paulo. (link para quem quiser ler o artigo todo: http://bit.ly/aASVRZ).

Sex and the City em 1920... nessa temporada tinha uma mulher a mais...

Pois que num dos primeiros parágrafos do texto falo sobre duas coisas que se chocam e se complementam ao mesmo tempo: cultura de elite e cultura de massa. Essas são duas modalidades culturais bastante parecidas. A primeira é feita pela elite, para a elite e a segunda é feita pelo povão e para o povão e quando as duas se chocam é uma loucura!

"Ma che cazzo isso tem a ver com as modas" pergunta a monete fashion?

("Muinto difisio!" FASHION, Monete)


Aquenda, bee! No começo do século XX, a pesquisadora Gilda de Mello e Souza publicou um estudo chamado "O Espírito da Moda", um senhor livro que esmiúça o sistema da moda no Brasil colonial. A que conclusão tia Gilda chegou? A moda ainda seguia aquele velho mecanismo do Renascimento - época em que a Moda como conhecemos teve início. No tempo de Da Vinci e de Guttemberg, o sistema da moda funcionava da seguinte maneira, simplificando bastante: A nobreza mandava fazer suas toaletes e vestimentas e a burguesia copiava. A nobreza, querendo diferenciar-se da burguesia, mandava fazer novas roupas e assim sucessivamente. Logo, a nobreza ditava a moda e quando se percebia que aspectos da cultura de elite haviam sido apropriados pela cultura de massa, eram promovidas mudanças.

"Que arranjo de cabeça uó! Vou fazer o próximo no André Lima!"

O tempo passou, os tipos móveis ficaram obsoletos e o sistema da moda mudou. ficou mais complicado. Depois da metade do século XX a cultura popular abalou o reinado da cultura de elite. Claro que o assunto não é tão simples assim. Nesse angu todo existe toda uma parte teórica sobre legitimação, mas o texto precisa terminar hoje... A partir dos anos 1960 a moda parece ter abraçado definitivamente a cultura das ruas, principalmente o modo de vestir dos jovens. Uma das maiores provas é a jaqueta perfecto, ícone punk, desfilada em uma apresentação de alta costura de Yves Saint Laurent.

Tudo isso para dizer que com o tempo a turma aprendeu que, pelo menos na área do vestuário, nem tudo que vinha do povão era porcaria. Na contemporânea, agitada e hypadinha década de 2010, vivemos tempos em que o discurso de liberdade e de quebra de preconceitos parece ter se institucionalizado - viva a liberdade institucionalizada! - Vamos, ao mesmo tempo, salvar os animais, as guedes, a camada de ozônio e os ursinhos carinhosos. #CapitãoPlanetaFeelings


Olha o Capitão Planeta arrasando no colorsbroques!

No entanto, é só colocar o Michel Teló para cantar que chovem ameaças de morte - e de suicídio também. Mesmo tendo esse discurso sobre tolerância tão propalado, ainda somos intolerantes àquilo que nos é estranho e alheio à nossa cultura. Michel Teló é cafona e de mau gosto, mas o mash up com A-ha é legal. Por quê? Por causa de uma coisinha chamada "legitimação". 

Trocando em miúdos, legitimação é aquela amiga sua com quem você vai se consultar quando está a fim de um carinha. Se ela disser que ele é ok, você pega, se disser que ele não é bom para você, você faz a fina, compra um cosmo e flick your hair - mas se for meio bisca, pega do mesmo jeito. Quando você mistura a letra sofrível de "Ai se eu te pego" com a melodia cult de "Take on me", você dá o aval para certo grupo apreciar a música e bater um glorioso cabelaço ao som dela.






O recado que fica é: não precisa idolatrar o sertanejo, nem beijar o chão que a Ivete Sangalo pisa, mas olhemos para aquilo que achamos "cafona" com um pouco mais de bondade no coração. Assim, não ficamos bitolados no mundinho das coisas que conhecemos e adquirimos repertório para "pensarmos fora da caixa". 

Um comentário:

  1. Oi,vim conhecer seu Blog,amei e já estou super seguindo,parabêns por seu cantinho e muito sucesso aqui!

    Te convido para conhecer meu Blog e se gostar e puder seguir também,será muito bem vindo,sinta-se em casa!

    Ah,tem 2 sorteios rolando por lá,participa! :)

    http://umamulherbemvestida.blogspot.com

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