terça-feira, 22 de novembro de 2011

Fiquei pra titio!

Quem torcia pra eu ficar pra titio pode comemorar lindamente! É que a família Paz está prestes a ganhar um novo membro, ou melhor, membra! É que a minha prima Bárbara - não, não é a Bárbara Paz atriz - está grávida da Maria Luiza, aliás, gravidíssima! A qualquer instante pode saltar da barriga dela mais uma sagitariana linda para agraciar o mundo com o encanto desse signo tão lindo! Hahahaha
Na foto, a Bárbara e a minha sobrinha Maria Luiza vestindo a zazou (link), uma das minhas criações dos tempos de aspirante a estilista.

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Mazel tov Bárbara e bem vinda, Maria Luiza! :D

PS – A Bárbara tem um blog fofíssimo de trabalhos manuais, artesanatos e afins. Vale a pena conferir: Blog Pespontada

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fashion No-No’s “Até quando?”

Até quando o bordão “até quando?”????? A expressão é batida, mas é a mais adequada à ocasião. E outra, o blog é meu e eu uso a frase que eu quiser! Este post foi feito em parceria com nosso companheiro de aventuras – não, não é o Toddynho – Gerson Cruz, estudante de Economia que não usa sapatênis caramelo combinandinho com o cinto. O que você vê a seguir é uma lista funesta de coisas que um dia foram moda, mas que já cansaram a nossa beleza e que mesmo assim tem gente que insiste em usar – tipo música sertaneja…

Se você não entende ironia, sarcasmo e afins, sugiro que vá ler um blog de esmalte :D

camerondiaz_chanelbag01Maxi Bag – A maxi bag é simplesmente uma bolsa grande. Existem vários modelos, a bowling bag, a hold all etc… de fato, é um tipo de bolsa muito útil para o dia a dia, principalmente se você faz a linha beduíno urbano e acha extremamente necessário carregar todos os seus pertences para cima e para baixo. Agora, se você não é um nômade metropolitano ou uma sacoleira do Brás, não precisa sair por aí arrastando sua bolsa gigante! Aliás, o que promete ferver nas próximas temporadas são as carteiras e bolsas envelope. Um adendo: mais uó do que a maxi bag em si é entupir a maxi bag com blusas de lã para fazer volume!


 

 

 

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Emporio Armani Decotada – O cantor Fábio Jr, certa vez, conheceu uma moça chamada Cristina Kartalian. Eles começaram a conversar, se curtiram, ficaram e aí rolou uma paixão. O fruto desse enlace foi Filipe Kartalian Ayrosa Galvão, o Fiuk. Pois o rapaz demonstrou aptidão às artes cênicas (OI?!) e conseguiu um papel de destaque na produção dramatúrgica, Malhação (OI?!?!?!?!). Eis que a abençoada figurinista acordou um dia e pensou: “hum… acho que hoje lançarei uma tendência antidemocrática que vai ser febre e fazer muita gente passar ridículo!”. Dito e feito, foi lançada a camiseta gola V. Apesar de alongar a silhueta, não é muito indicada para quem está acima do peso e se você tem muitos pelos no peito, nem pense em cometer essa besteira! Como se já não bastasse, a equipe de estilo da Armani Exchange pensou: “Como fazer uma tendência antidemocrática que faz as pessoas passarem ridículo ser mais antidemocrática e mais ridícula?” Simples! Basta colocar um monte de brilhos nela. Dito e feito! Que atire a primeira pedra quem nunca tomou um susto com as camisetas gola V estroboscópicas da Armani Exchange.

Le-Petit-Nicolas-Movie-BlogbusterPreppy – Este item foi escrito com muita dor no coração… Eu amo o estilo bem arrumadinho e “tudo no lugar” do preppy e já me visto assim há algumas eras geológicas, mas parece que todas as guedes* do rolê adotaram o estilo!!! As mesmas que usavam a camiseta do tópico acima adotaram camisa de colarinho, gravata slim e blazer. Confesso, este item aqui é puro despeito!!!!! Lembram como todo mundo reclamava em 2004 que os emos tinha roubado o estilo de um monte de gente? Pois estou sofrendo dessa mesma dor de cotovelo! GUEDES, DEVOLVAM MEU PREPPY!!!

* Guedes: s.f. sing. [gue-des] Terminologia empregada para designar gueis, bees, gente do lado colorido da força e adjacências.

 

Estilo-Marinheiro-para-os-Boys

Look Popeye – Cá para nós, o estilo naval é muito charmoso e confortável! Não tem nada mais prático que um bom par de docksides e nada mais lisonjeiro para rapazas magrelos que uma camiseta com listras horizontais. Agora, devagar com a louça, minha gente! O visual navy tem a intenção de SUGERIR um ar naval, mas tem gente que sai fantasiada de Popeye!!! Juro que no último final de semana vi um cidadão num barzinho com um quepe e não, ele não estava sustentando o look! Pensem em estilo como se fosse um restaurante self-service, não dá para pegar tudo de uma vez, senão dá diarreia :D

 

kesha-blue-lipstick-03Batom azul da Kesha – Vamos usar o bom senso? Nada que diz respeito à Kesha pode ser coisa boa - Seria Kesha a antítese da Iogurteira Top Therm? –. Se nem as músicas prestam, por que o batom azul seria a exceção?! Sinceramente, não sei se é porque tenho Júpiter em Virgem e Lua em Backyardiggans, mas toda vez que vejo aquela cidadã, tenho vontade de desencardi-la! Então, não me leve a mal se você estiver usando batom azul e eu te atacar com uma escovinha de tanque. É que eu vou achar que você está lentamente se transfigurando na Kesha… #Confusões


 

 

Modern-Male-HairstylesCabelo das Muderna – A receita é: raspar beeeeeem baixinho na lateral e deixar beeeeeem comprido em cima. Quando o penteado foi lançado foi sucesso! Mas aí orkutizou e agora todas as pseudomodernetes estão usando. Recentemente uma missão da FUNAI encontrou índios xavantes usando o penteado. Só assim o povo percebeu que foi longe demais nessa do cabelo muderno. Cabeleireiros do Brasil, lhes faço um apelo, cortem tigelinha, mas não cortem mais esse “cabelo di mudernas!”


 

 

 

Chanel_2.55_bright_leather_black-silver_11122.55 paraguaia – É o seguinte: tem muita bolsa sem marca que é ótima! Não troco as minhas da Zepa – Rua José Paulino, templo das compras das modas diferenciadas – por nada. Agora, se você quer sair por aí de bonita, exibindo logotipo para fazer inveja nas colega da lotação, vá em frente! A Chanel 2.55 é a nova Louis Vuitton de monograma colorido! Todas quer e todas tem! É só dispender da módica quantia de 50 dinheirinhos em qualquer banca por aí. Nem vou começar a falar muito sobre falsificações, porque ia tomar o post inteiro, agora, dica grande, quem tem mesmo grana pra comprar a original não anda de lotação, muito menos sai por aí exibindo logotipo.

cowboy_boots_planterCorote Cowboy – Simples assim: Corote é um barril pequeno. A pergunta que paira no ar é a seguinte: por que toda guedes gordinha, baixinha e atarracada se sente no direito de vestir um shortinho jeans curto com uma camiseta podrinha e um par de botas de cowboy de cano alto? Nem vem me dizer que estamos num país livre que essa não cola mais! O Ministério do Bom Senso passou Medida Provisória que proíbe pessoas de IMC maior que 25 de usar bota de cowboy com shortinho jeans. Se você não acredita nas leis do codigo civil, deposite sua confiança nas leis da Gestalt. Linhas horizontais alargam! No further question [inserir barulhinho do Law and Order].

 

Sarouel Doc DogSaruel – A calça saruel foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores médicos da Universidade de Stanford que precisavam de uma peça de vestuário ergonomicamente projetada para homens que haviam tido seus testículos operados. Esse papo de roupa indiana foi só jogada de marketing. Acontece que um dos pacientes analisados pela junta médica estava muuuuito dopado e acabou saindo do hospital usando a saruel. Alguma blogueira das modas, viu, achou exótico… o resto da história vocês já sabem… baguamqueliê!

 

 

 

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Ankle Boot – Já que estamos nessa viagem histórica, deixa eu contar mais uma fábula fashion procêis. Em São Bernardo do Campo, nos idos de 1930, havia uma menina chamada Gumercinda. Muito influente em seu círculo de amizades, ela foi considerada a primeira it-girl do Grande ABC. Acontece que em 1930, poucas ruas dessa prolífica conurbação chamada de grande A to the B to the C eram pavimentadas. O resultado? Toda vez que Gumercinda ia pro Glória, sujava suas meias e era xoxada pelas guedes habitués. Cansada de se submeter a esse vilipêndio, a astuta bernardense desenvolveu um modelo de sapato de cano mais alto que protegesse suas meias. Foi só a amapô botar os pés na buatsch que virou tendência… sim desde aquele tempo! Vamos dar um tempo pra invenção da pequena Gumercinda, migs?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Eterno Retorno das modas

 

Titio Nietzsche, se vivesse hoje, estaria sentado no alto de uma confortável poltrona a sorrir e a nos dispensar um olhar meio de soslaio. Um olhar que diria “Eu não falei que estava certo?”. Não, ainda não emitiram o atestado de óbito de Deus, eu me refiro à teoria do Eterno Retorno. De acordo com ela, nossas vidas são um contínuo repetitivo atrelado a fatos específicos. Fatalista, não?

nietzsche1875Gott ist tot. Wir töteten ihn [alemão para “Pele é tãããããão last season!”

O que isso tem a ver com moda, Augusto? Eu chego lá.

Pois hoje vivemos tempos bastante contraditórios. A Europa está falindo. Os Estados Unidos tiveram o crediário recusado no Magazine Luíza, a Grécia está vendendo o almoço para comprar a janta [update: a nota do último almoço grego foi rebaixada para XXX-], a Itália segue o mesmo rumo e a França, ao que tudo indica, é a próxima a entrar para a turma dos nouveaux-pauvres [Sim, eu leio o noticiário econômico! Existe vida além da Vogue!]. Do outro lado, o pessoal que antes entrava pela porta da cozinha, Brasil, Rússia, Índia e China – O BRIC – ganha, a cada dia, mais relevância no cenário econômico mundial.

61570-greek-prime-minister-george-papandreou-attends-a-session-at-Primeiro Ministro grego George Papandreou. Ele não está feliz

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Angela Merkel, presidente alemã. Ela não está feliz… em especial com o George Papandreou.

Pela primeira vez, parece – repararam que eu negritei? – que o nosso lado da grama é mais verde, mas não podemos nos enganar. Vivemos momentos de crise e, ao que tudo indica, essa aí vai fazer o Crash de 29 parecer um piquenique.

A moda, no entanto, não dá sinais de preocupação com esse cenário decadente. Pelo contrário. Vive-se um tempo de saturação visual enorme! Até o novo minimalismo é over! Olha o color blocking que não me deixa mentir!

Não é a primeira vez que isso acontece. Basta abrir qualquer livro de História da Moda – Laver, Braga e cia ltda. – para atestar que durante os anos 30, em pleno cenário pós quebra da Bolsa de Nova York, o que vigorou foi o fastidioso glamur hoolywoodiano com direito à sensualidade e nonchalance das divas da grande tela. Palpite meu, uma forma de escapismo.

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Marlene Dietrich e Anna Dello Russo feat. Flamingo Assassino

O que faz o titio Nietzsche abafar suas risadas atrás do bigode é que hoje fazemos a mesma coisa. Não que as coisas estejam calamitosas, mas certamente, não estão tão boas quanto nossos amigos euro-ianques gostariam. Em recente palestra que aconteceu em Belo Horizonte, a editora de acessórios do WGSN, renomado escritório de pesquisa de tendências, apontou como caminhos para as temporadas futuras uma estética retrô, de metais envelhecidos, materiais rústicos, cores saturadíssimas – quase infantis – e muita, mas MUITA ironia. Ora, se não é mais uma demonstração de escapismo? “É a moda da crise entrando em cena” Disse-me uma colega jornalista de um grande portal. Já que não dá para resolver o problema, vamos nos sentar e rir da nossa própria ruína! Existe um ditado de um país exótico que versa sobre os problemas. Se eles são ínfimos e não nos incomodam, por que perder tempo com eles? Se eles são gigantescos e não temos como resolvê-los, por que perder tempo com eles também? E parece que foi isso mesmo que a moda fez, olhou para o outro lado – Não estou fazendo juízo de valor, ok?

A dúvida que fica é a seguinte: sabemos que no mundo quem dita a moda é quem tem a grana. Sendo assim, que rumos o mundo das modas tomará agora que tudo aponta para uma derrocada do eixo Estados Unidos-Europa? Será que vamos finalmente resolver nossa crise de identidade de moda? É melhor que o façamos prontamente, antes que sejamos obrigados a vestir mais produtos chineses [a câmera captou duas it-girls chorando na plateia agora]. E qual é o estilo brasileiro? O calculado despojamento carioca? O globalizado yuppie paulistano? O minucioso artesanal mineiro? O technokitsch paraense – novo produto exportação do Brasil? Não é possivel dizer. E também nem é saudável que um país de proporções tão grandes como o nosso seja tão visualmente massificado.

Não pensem vocês que fazer o estilo brasileiro ecoar pelos quatro cantos do mundo será tarefa fácil. Uma das heranças que nosso saudoso ex-presidente Fernando Collor de Melo (OI?!) nos deixou foi uma extensa lista de indústrias têxteis falidas e um parque industrial têxtil sucateado. Antes de me atirarem pedras, porretes e Melissas falsificadas, digo que quem me contou isso foi um dos medalhões das modas e quase todos os meus professores de Tecnologia Têxtil. O Brasil ainda é uma marca sem produto. Vendemos um estilo de vida invejável, mas na hora de entregar o produto, não passamos das Havianas.

30_detailsWomens_13_C2_01Havaianas – uma hora todo mundo vai usar MESMO e a gente vai precisar vender outra coisa!

Sei que me falta um pouco de pesquisa, mas sou otimista. Não quero ser chamado de “Pollyana das Modas”, no entanto, vejo que meus contemporâneos – salvas exceções – estão cada vez mais preocupados com o conteúdo, com o savoir faire. Conversando com profissionais do setor educacional, ouvi que a febre das aulas de desenho foi substituída por uma procura imensa por aulas de costura e modelagem. Será que finalmente os pretensos estilistas-estrelinhas cederão lugar a profissionais bem preparados, que saibam planejar e EXECUTAR? Eu espero do fundo das minhas entranhas que sim. Pode ser essa uma das chaves que vai nos libertar do Eterno Retorno das Modas.