terça-feira, 3 de maio de 2011

Fashionista é a mãe!

Oh! Que lindo o mês de maio… mentira! Ainda mais porque o feriado caiu no final de semana! Pelo menos tem o dia das mães para juntar o pessoal e todo mundo comer até a paralisia, afinal, é esse o espírito.
Aproveito o ensejo para fazer um post com tom de confissão. Então lá vai: a verdadeira célula fashion do clã dos Paz é minha mãe, dona Rosangela!

Mãe
Mamãe fashionista tooooda trabalhada num look ladylike lindo!

A culpa de eu ter enveredado para o jornalismo de moda é dela e de meu pai. Morávamos em uma casa cujo quarto dos fundos tinha uma parede reservada para que eu e minha gêmea riscássemos à vontade. O resultado? Aos quatro anos já líamos e escrevíamos com bastante fluência. Nunca tivemos muito dinheiro, mas os livros não faltavam e a diversão era comentar as leituras durante o jantar.

KTD6Os gêmeos cresceram! (Foto by @FelipeAbe)

Mesmo querendo que seu caçulinha (sou o gêmeo mais novo) fosse diplomata, foi minha mãe quem incutiu em mim o micróbio da moda – com o perdão da paráfrase. A casa sempre foi forrada de revistas de moda, Vogue, Criativa, Manequim, Elle etc o que fez com que desde criancinha eu me deliciasse em destroçar todas essas publicações. Entre uma página rasgada e outra, comecei a ver os modelos e depois ler as reportagens. Foi o que bastava.

O tempo passou e nos mudamos para uma casa maior, com um quintal gigante. A grande brincadeira dos gêmeos era rolar pela grama e tentar transformar nossa cachorra Quitéria em um pônei. Quando pedíamos uma fantasia ou roupa diferente para incrementar as brincadeiras, mamãe colocava em prática seus conhecimentos em alfaiataria (ela não sabe nem colocar a linha na máquina de costura) e improvisava trajes incríveis feitos em jornal (viu, Jum Nakao? Dona Rosangela fez antes!). Eu achava tudo aquilo impressionante! Na verdade minha mãe fazia um grande tubo de jornal, cortava uns buracos para os braços e a cabeça e pintava tudo com giz de cera.

CriaçõesCriações da Maison Rosangela (eu sou a árvore míope)

Os anos foram correndo e eu aprendi que quem rasga Vogue vai pro inferno. As coisas melhoraram em casa e contratamos TV a cabo. A contragosto do meu pai, que queria ver futebol, minha mãe passava noites assistindo ao Fashion File no canal E! Eu ficava brincando de Lego na sala e espiando os desfiles de Yohji Yamamoto, Yves Saint-Laurent, Gianfranco Ferré e muitos outros. Na verdade, eu achava aquilo um pouco chato, mas com o tempo fui pegando gosto pela coisa. Até que em um sábado à tarde, na presença dos meus pais, pedi para que minha mãe me ensinasse a fazer tricot. Os olhos do meu pai ficaram do tamanho de um pires. Ele disse “É coisa de mulher!”. Eu retruquei com todos meus sete anos “Não é não! O Giorgio Armani faz também!”.

Mais tarde, dona Rosangela ficou bastante amiga de uma vizinha, dona Lourdes. A piauiense é uma costureira de mão cheia que já fez muitos vestidos para atrizes, mulheres importantes daqui da nossa cidade e para quem mais pagasse em dia. Nessa época eu queria ser advogado – mamãe é persuasiva… – mas meu interesse por moda já era declarado.

Mãe 80'sMamãe at the 80’s

Desisti do Direito e passei a visitar o atelier da Dona Lourdes com mais frequência. Quando dei por mim, tinha virado uma espécie de pupilo dela. Aprendi o básico de costura, acabamento, modelagem e depois consegui meu primeiro emprego no ramo da moda. Tornei-me assistente de um estilista daque de Saint Andrew of the Field’s Border (Santo André da Borda do Campo, Santo André para os íntimos). Saí do emprego para fazer minhas próprias peças com uma sócia. O negócio durou pouco… Aproveitei o tempo ocioso e fui estudar costura e modelagem no SENAI. Lá eu conheci bastante gente doida com quem mantenho contato até hoje.

Mamãe percebeu que era muito mais vantajoso ter um filho estilista que um filho advogado, afinal, em uma família tão numerosa quanto a nossa – só de tios-avós eu tenho 30 – há muito mais casamentos que ações judiciais. Perdi a conta de quantos vestidos eu desenhei para ela.

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Eu, mãe e minha gêmea no nosso aniversário de sete anos

Com o tempo fui vendo que o jornalismo de moda era muito mais interessante para mim que o estilismo e mamãe continuou com seus delírios de estilista – sempre concretizados pela dona Lourdes. Sabe aquela história do filho que desenha as roupas da mãe. Agora é o contrário! (O detalhe é que ela desenha as roupas pra ela mesma e eu roubo tudo…).

Enfim, tudo isso para dizer não tem pra ninguém! Dona Rosangela é a it-girl mais hypada do rolê! Ela rouba meus brindes de Fashion Week, me liga durante as semanas de moda para comentar as coleções e está por dentro de todos os bafóns das griffys!

Besos para mamá e feliz dia das mães!

3 comentários:

  1. Olá!
    Meu nome é Leandro e eu também sou de Santo André e também enveredei para o lado da moda! rs rs
    Adorei o post, e claro tenho uma mãe mais para o lado da arquitetura, e uma prima estilista, e uma tia avó que costura muito! rs rs
    Ou seja, todas hypes e muito antenadas com moda, e até mesmo minha mãe tem seus glimpses de "Vamos assistir Fashion TV!" rs rs
    Super me identifiquei com post e parabéns pelo blog! Abraço!

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  2. Stephanie Bassetti03 maio, 2011

    Muiiitooo Lindoo August....I loved!
    Otimos dias das mães pra sua e pra minha e pra todas as mães desse Brasillll....
    Muito sucesso pra voce, sua mama e dona lurdes. Beijoss

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  3. Gu, adorei sua postagem! Aposto que sua mãe deve ter ficado muito feliz com a homenagem! Sobre a minha madrinha quero acrescentar duas coisas, primeiro: eu tenho uma foto com umas presilhas de cabelo (vááááárias), que a sua mãe não só me deu quanto prendeu no pouco cabelo que eu tinha, imitando a Xuxa, mas ficou parecendo dois chifrinhos. Mas ó, fiquei super estilosa e as presilhas eram com uns relóginhos.
    segundo: TODO mundo comentou no meu casamento e depois do casamento sobre a roupa da sua mãe, quem não a conhecia, me perguntou quem era a mulher dourada ^.~. Beijos.

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