terça-feira, 12 de abril de 2011

Não copia que é feio!

Editorial DescolexPara abrir a matéria, copio foto do editorial babadex do Descolex 

De acordo com o titio Aurélio:

Copiar: V.t.d. 1. Fazer a cópia de; transcrever. 2. Reproduzir imitando. 3. Inspirar-se em; imitar. 4. Imitar; plagiar. 5. Fot. Reproduzir (um negativo). 6. Obter, adquirir, por cópia. 7. Imitar-se reciprocamente.

O burburinho do dia diz respeito à onda de processos que a maison francesa Christian Louboutin pretende mover. Só esta semana a marca anunciou que moverá duas ações, uma contra a também francesa Yves Saint Laurent e outra contra a sapataria brasileira Carmen Steffens. Tudo isso porque as duas marcas lançaram sapatos com solado vermelho. A Louboutin afirma que a patente da sola vermelha lhe pertence e que ao produzirem calçados com configurações parecidas, as outras marcas confundem o cliente.

christian-Louboutin3 YSL Carmen Steffens
Na ordem: Louboutin e os polêmicos (?) sapatos da YSL e Carmen Steffens

Não cabe a mim dizer quem está com a razão, mas a notícia levanta uma lebre-fashion discutida já faz algum tempo: a cópia na moda.

De certa forma, podemos dizer que a cópia é um dos motores desse fenômeno que conhecemos por “moda”. Waaay back when, no Renascimento, a nobreza mandava produzir seus trajes e a burguesia rica mandava copiar tudinho. Os nobres, que queriam distância dos burgueses, mandavam confeccionar roupas novas e assim por diante.

A cópia, pelo menos quando o assunto é moda, está intimamente relacionada com a necessidade de pertencimento e com as relações de individual e coletivo. Quem copia um look, por exemplo, quer se parecer com a pessoa que o criou, muito provavelmente por admirar o que aquela pessoa representa. Tomemos como exemplo a novela das oito. A mulherada copia o jeito de vestir de determinada personagem porque aquela persona lhes agrada. Antropofágico? Talvez...

Dr Ray Madonna
“Jente! To beje! A sinta do Doctor Ray é plajio do colã da Madona!!!”

Seria a cópia, as we know, um valor moderno? A nossa cópia é consoante da criação da propriedade privada e do acirramento das relações capitalistas? Confesso que isso dá um nó na minha cabeça...

Se houve má fé da YSL ou da Carmen Steffens, para mim pouco importa! O que eu sei é que desde que moda é moda existe cópia e que se a Louboutin inventar de processar todas as marcas que pintam as solas de seus sapatos de vermelho é bom começarem a contratar um batalhão de advogados! (Tenho uns primos para indicar!)

Acredito que todo esse debate sobre a legitimidade da cópia é fruto de um choque cultural bastante contemporâneo. Acontece que somos ensinados, desde pequenos, que copiar é ruim, mas ao mesmo tempo, parece que observamos um esgotamento de referências. Para onde correr, estilistas?! Na arte aconteceu a mesma coisa. Os artistas sofreram a chamada “crise dos materiais”. Ou seja, sentiu-se que a arte feita nas plataformas tradicionais – pintura, escultura, gravura etc – havia se esgotado. Os artistas passaram então a trabalhar com ideias. É nesse entremeio que surge Andy Warhol com sua arte reprodutível. Começa a ser trabalhada a apropriação (não confunda com plágio!).

Andy Warhol

Será que vivemos uma era de apropriação na moda? A pergunta que meus neurônios ainda não foram capazes de responder é a seguinte: em um contexto de reprodutibilidade tão fácil (viva o ctrl+C ctrl+V) QUAL O VALOR DA AUTORIA?

E aí? Alguém se arrisca a responder?

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