quarta-feira, 13 de abril de 2011

Brasil Fashion Designers - Resenhas

BFD

Aconteceu ontem, 12/4, no Expocenter Norte, a final do concurso Brasil Fashion Designers - Sudeste, uma iniciativa que envolveu quatro grandes empresas têxteis – Adar Tecidos, Cedro Têxtil, Tavex e Vicunha – além de órgãos e empresas como FCEM, Audaces, Cardenas, Estrela, Prefeitura do Rio de Janeiro. Museu Bispo do Rosário e INEPAC.

Os dez finalistas desenvolveram suas coleções baseados na vida e na obra de Arthur Bispo do Rosário. Boxeador e marinheiro, Arthur é internado em uma casa de sanidade mental após ter uma alucinação. Uma vez dentro do hospício, Bispo do Rosário começa sua produção artística. Suas obras são comparadas ao trabalho do dadaísta Marcel Duchamp.

A vencedora do concurso, Domitila de Paulo (Belo Horizonte – MG), ganhou uma viagem a Berlim para fazer pesquisa de moda, uma visita à Bread and Butter – mais conceituada feira de jeanswear do mundo – e uma licença do software de criação Audaces por seis meses.

Chega de parlatório e vamos às resenhas!

 

DOMITILA DE PAULA – Universidade Fumec (MG)
A coleção da vencedora é intitulada de “Frag-Mente o Navegar”. A estilista jogou com fragmentos de memória e construiu uma linha de oito looks bastante coesos, divertidos e carregados de significado. Domitila se valeu da primeira visão de Arthur: Jesus Crsito cercado por sete anjos de luz. De maneira nada literal, a mineira reproduziu a passagem, mesclando elementos do barroco e da pop art. As estampas usadas são adoráveis e o jogo de cores bastante atraente. Vermelho vivo se combina ao dourado e o laranja ao azul turquesa.

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RENATO RAGA – FMU (SP)
O estilista fez uso do método de trabalho de Bispo do Rosário para construir suas peças, junção de partes, colagens, colecionismo etc. Looks pesados em raw denim – jeans sem lavagem – feitos para uma mulher forte. Os volumes são pontuais e aparecem ora em uma saia, ora no gancho de uma calça. A coleção é bem construída e executada. A única ressalva é o look que mescla a dureza do índigo com a fluidez do cetim roxo. Os pregueados e recortes são bastante interessantes.

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IARA MARI – Centro Universitário UNA (MG)
Acabamentos desfiados, bordados coloridos e ombros marcados deram o tom da coleção de Iara. As referências pareciam um tanto desencontradas e o resultado final acabou por ser um tanto desarmonioso. Os jeans bordados se misturam com botões sortidos, cordões coloridos e shantung. Destaque para a calça do primeiro look. Elegante e clássica, a peça foi cobiçada por muita gente no backstage!

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THIAGO PHELIPE – USP (SP)
O paulistano conseguiu se desviar do peso do raw denim, compondo uma coleção masculina chic, consoante com as tendências internacionais e very cool indeed. Thiago conquistou o segundo lugar do concurso com uma coleção que relaciona o universo do ready-made de Bispo do Rosário com a feira de antiguidades do bairro do Bixiga. O estilista apresenta propostas a um homem que deseja começar seu caminho pelo mundo da moda masculina ousada. Calças com volumes pontuais, blazers cropped e camisas com tiras divertidas dão o tom da coleção. Destaque para o acabamento precioso das peças – todas confeccionadas por ele.

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BRUNA ABREU – Fumec (MG)
O método de trabalho da estilista é bastante simpático. A mineira foi coletando tralha doméstica: chaveiros, argolas, correntinhas etc e aplicou tudo isso de maneira localizada em pontos determinados de seus looks. Dessa maneira atribuiu memória a suas peças. Bruna explora o exagero e a loucura de Bispo do Rosário através de volumes e sobreposições. Algumas ressalvas a respeito da execução dos looks. Os excessos por ora eram demasiados e dificultavam a apreciação devida da roupa.

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MAURÍCIO SOMENZARI – FAAP (SP)
Construções interessantes e uso de materias não explorados por nenhum dos outros finalistas são alguns dos itens que fizeram da coleção de Maurício uma sucessão de looks bastante agradável e harmônica. Dentro de suas limitações de cor, o estilista trabalhou bem as formas e conseguiu pontuar de modo interessante os focos de peso dos looks. As pérolas, penas e peles dão um ar nobre às peças. Através de pespontos, Maurício cria a ilusão de recortes.

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SEIKA YAMADA – Santa Marcelina (SP)
Ao explorar a questão da liberdade física e psicológica, a estilista elaborou capas e casacos que limitavam os movimentos dos braços dos modelos. As estampas são bonitas, mas não conversam com o resto da coleção. A execução também deixou a desejar – havia barras torcidas e outros pecadinhos de costura. Vale prestar atenção ao tratamento que a estilista dispensou ao denim, que ficou com cara de envelhecido, empoeirado. Very trendy!

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SAMANTA FACHINELLI – Uniban (SP)
A estilista explorou a religiosidade do trabalho de Bispo do Rosário e compôs looks que, de acordo com a própria Samanta, são  “confortáveis e sexy”. A coleção é leve e divertida. As saias pregueadas deram um tom de languidez e até certa candura. Para os rapazes, capas volumosas e trabalhadas com tiras. Os botões, por vezes, pareciam um tanto perdidos… Samanta conquistou a terceira posição.

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JULIA FALCÃO – SENAI CETIQT (RJ)
Em um mix extremamente harmonioso de referências militares e setentistas, Júlia criou uma imagem muito divertida de uma mulher “milico-groovy”. Os casacos têm transpasses interessantes e as peças foram muitíssimo bem construídas e executadas. Destaque para a estampa desenvolvida pela estilista – que poderia ter sido mais usada. A coleção não tem mirabolâncias, mas nem por isso perde seu valor. Muito pelo contrário!!! A linha de Júlia tem um apelo comercial apaixonante! Cadeias de fast-fashion, o que fazem que ainda não contrataram a moça?! Uma lástima que a coleção não tenha sido premiada.

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MARCELA PANKOWSKI – Santa Marcelina (SP)
A coleção funciona no papel. Os croquis são interessantes, mas talvez a escolha equivocada dos tecidos tenha causado um efeito ruim na passarela. Tudo parecia meio desconjuntado e a execução deixou muito a desejar. Barras torcidas, palas tortas e aí por diante. A intenção foi muito boa no entanto. Explorar o lado náutico do artista, passeando pela loucura e usando acabamento simples foi uma boa ideia, mas na hora de transportar as ideias do papel para o tecido, houve falhas.

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