segunda-feira, 28 de março de 2011

Entrevista: a ilustradora de moda russa Aksiniya fala sobre arte, moda e referenciais

IMG_6179 Imagens (Reprodução)

No alto de seus 24 anos, Aksiniya é uma das ilustradoras de moda e designer de estampas mais promissoras dos últimos tempos. Diretamente da China, a russa cedeu uma entrevista ao blog. A artista fala sobre suas referências, sua história no mundo do desenho, sua relação com a moda e comenta sobre arte digital. Quem acompanha o blog sabe que eu morro de amores pelo trabalho maximalista de Aksiniya. Vale a pena conferir o ponto de vista dela:

Augusto Paz - Quais são suas origens? Onde você estudou?

Aksiniya – Sou nascida e criada na Rússia. Todo mundo na minha família ama arte e mais, todo mundo desenha muito bem. Então, as raízes da minha paixão pela arte vêm da minha árvore genealógica, literalmente, uma vez que sou parente do artista russo Grekov.

Quanto ao desenho, começou com meus primeiros passos, ou mesmo antes e ainda é uma das coisas que mais gosto de fazer. Tenho estudado na Itália e na Rússia, mas não Artes. Minhas especialidades são Literatura Russa e Jornalismo.

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AP – Quando você começou a desenhar?

Aksiniya - Tenho trabalhado como ilustradora em meio-período desde a escola primária. Era muito engraçado, porque eu era uma entusiasmada ilustradora de uma história em quadrinhos supostamente engraçada que contava a história de um garotinho ridículo. E ninguém podia imaginar como eu estava cansada daquilo. Mesmo agora, meia vida depois, eu me orgulho do meu profissionalismo na época.

Mas o negócio ficou sério mesmo em 2006, quando eu não podia mais ignorar a quantidade de pessoas que queria um trabalho meu. Decidi dedicar minha vida às coisas que eu mais amava e não perder tempo em vão.

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AP – Quais são suas maiores referências?

Aksiniya - Eu gosto dos pré-rafaelitas, expressionistas e Jugendstil desde a infância... Era um mundo cativante de linhas sofisticadas, cores vibrantes e composições mágicas.

Eu amo Klimt, Hodler, Mylnikov (artista russo), o grande ilustrador russo Mikhail Maiofice...
Quanto à arte moderna, estou apaixonada por John Currin e Hope Gangloff.

Eu, pessoalmente, sou uma mulher apaixonada e estou entediada com pinturas sem energia e com desenhos meticulosos demais. O que quero dizer é que deveria haver algo implícito em vez de esforço explícito para agradar ao espectador.

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AP – Qual sua relação com a moda?

Aksiniya – Eu amo moda. Não pelo poder de transformar o modo de vestir a cada temporada, mas admiro a moda pelo seu poder de inovação, como a arte.

Fui cercada de revistas brilhantes desde muito nova e eu as achava muito legais como enciclopédias de moda e de história do costume, mas não como objeto de adoração. Não ficava babando em cima delas.

Moda e pessoas são minhas inspirações. É muito interessante observar como os designers tentam interpretar a ideia da beleza a cada temporada. E devo dizer, algumas roupas mereciam realmente estar em um museu.

A moda é um grande e espetacular processo que transmite nossas aspirações, medos e sonhos. Às vezes é mais eloqüente que política, porque a moda é um grande complexo de manifestações humanas. Moda é gente. É muito mais ampla que apenas roupas.

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AP – Quais são suas prioridades ao desenhar?

Aksiniya - Eu amo desenhar pessoas, especialmente homens. Também gosto de bolsas e sapatos. Mas, honestamente, minha inspiração é como um tsunami. Pode me dominar enquanto eu contemplo os pássaros. Então, não tenho certeza a respeito do que me faz querer desenhar... é algo bonito e vivo. Além do quê, eu não gosto de descrever objetos, sempre preciso de um espaço para minha fantasia.

Também gosto de padronagens intrincadas (é uma demanda comercial bastante grande!).

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AP – Conte-nos sobre sua técnica

Aksiniya - Uso minhas mãos, caneta, lápis, lapiseira, tinta acrília. E amo experimentações.
Às vezes apenas desenho com a lapiseira sobre o acrílico, às vezes desenho com lápis e escaneio. Mas, ser parte do século XXI significa estar familiarizada com novas tecnologias. Eu devo dizer que amo computadores. Além disso, eu não enfatizo o método de criação de uma figura. Acho um esnobismo e uma hipocrisia pensar que imagens digitais não são tão boas quanto as desenhadas à mão, no papel... É tudo uma questão de observar e de gostar... ou não.

Minha técnica é reflexo da minha imaginação. Às vezes basta pegar uma folha de papel. Às vezes eu preciso de um algo mais.

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AP – Conte-nos sobre seus projetos futuros

Aksiniya – Não existe um só dia sem desenho para mim. Eu me sinto muitíssimo mal se não posso desenhar. Não é vício, é parte da minha natureza. Na verdade, eu não procuro algo para fazer, é esse algo que sempre me encontra. Então, eu não planejo.

Esta semana estou trabalhando em anúncios, têxteis, projetos de ilustração e livros.

Sendo uma maximalista, intimamente ligada ao mote “veni, vidi, vici”, acho que meu próximo trabalho vai lhe trazer alguma alegria ao observá-lo, ou vai virar assunto para alguma discussão, pelo menos.

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