terça-feira, 7 de setembro de 2010

Nada de Novo no Front!

Mais do que um fashionista afrescalhado com dificuldades para refrear seus desejos de consumo, sou um grande admirador das roupas e do fenômeno do vestir. As pessoas e as maneiras que encontram para traduzir sua individualidade através de pedaços de tecido me fascinam!


Entretanto, durante minha sabática e merecida viagem à Riviera de São Lourenço fiquei muito impressionado com a “desindividualidade”. Frequento o apartamento de amigos no condomínio há anos, mas só agora fui me dar conta de como aqui as pessoas da minha faixa etária – 15 a 25 anos – se vestem da mesma maneira.



Sendo a roupa um dos modos mais fiéis de interpretarmos e expormos nossa personalidade, é preocupante o fato de que centenas de pessoas se vistam da mesma forma. Quando menciono “mesma forma” não quero dizer que sigam as mesmas tendências ou referências. Todos nós, invariavelmente, seguimos tendências e as interpretamos à nossa maneira, dando um perfume próprio a elas. Lá na Riviera - como em outros inúmeros lugares -  parece haver uma uniformização voluntária. Na vontade de se identificar com um grupo, joga-se fora a personalidade. A necessidade de pertencimento sobrepuja a necessidade de expressão. É mais fácil pertencer à massa e homogeneizar-se a demonstrar a existência de algum pensamento ou ideia próprios.



O habillé masculino deprime pela semelhança a Justin Bieber. Deus! Andar pelas calçadas daqui é trombar com um exército de garotos de cabelo tigelinha, camiseta de gola V, bermuda e boné de aba reta. Já as meninas optam pelas camisetas da Abercrombie & Fitch (a C&A dos novos ricos) e shortinhos. Nos pés, rasteirinha com pedrarias. Obviamente, há variações do tema, mas todas seguem esse gabarito.



A roupa diz muito sobre nós mesmos e quando vejo uma quantidade de pessoas tão grande vestida da mesma maneira tenho vontade de queimar todos os trabalhos e livros sobre diversidade que li, afinal eles aparentemente não serviram para muita coisa. Mesmas roupas, na maioria das vezes, querem dizer “mesmas ideias” e isso é realmente preocupante. As novas gerações são massa de manobra tão fácil de manipular? Tão homogêneos? Ou, como disse Machado de Assis sobre José Dias, gente de “ideias chochas”.

Pode parecer neurose minha, e sinceramente espero que seja, mas é bom que nos preparemos para lidar com uma multidão de administradores de herança de mente fraca e altamente influenciáveis.



Por isso digo categoricamente que prefiro que me olhem torto quando saio por aí de bolsa e o que mais me aprouver a abaixar a cabeça e aceitar um padrão que me chegou pronto, mastigado e digerido. Abaixo à preguiça mental! Abaixo à preguiça fashion

4 comentários:

  1. concordo plenamente com você Augusto!!!

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  2. Thiago Phelipe07 setembro, 2010

    HAHAHAHA

    Migs, você nem precisa ir TÃAO longe prá saber disso. É só andar de metrô! hahaha
    Como já disse o Gui, "que pena de nós que fazemos moda."

    Por isso que o meu ** tá cheio de Justins. HOIEHEOIHEOIEHEOIHEEIOHE

    MARABEIJAS o post *-*

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  3. Concordo em gênero, número e grau.
    E, meu bem, se você tivesse presenciado a minha formatura no ano passado, iria querer enforcar cada uma das garotas com seus vestidos rosa choque de cetim. E que fazem a mesma pose "de ladinho" nas fotos. Oh céus!
    Beijo!

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  4. There is no place like my best friend´s private jet

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