sábado, 24 de abril de 2010

Cycle Chics: ciclismo urbano com estilo

Imagem do site WhoWhatWear.


Cop15, pegadas ecológicas, sequestro de carbono e ecobags foram apenas algumas das muitas palavras do vernáculo ecológico que povoaram os jornais, blogs e portais de notícia no ano de 2009. O mundo está sendo sobre-aquecido e os fashionistas já se deram conta disso, tanto que os tecidos ecologicamente corretos têm se tornado cada vez mais requisitados – mas nem por isso mais baratos. Toda essa atmosfera “planet friendly” convergiu para o surgimento de mais uma tribo urbana, os cycle chics.
O termo foi usado pela primeira vez em 2006, pelo fotógrafo e cineasta Mikael Colville-Andresen, chamado de “Sartorialist em Duas Rodas” pelo periódico The Guardian. O Cycle Chic consiste em dar ao ato de andar de bicicleta ares mais cosmopolitas e sofisticados. As extravagantes e agarradíssimas roupas de spandex são substituídas por peças de prêt-à-porter adaptadas à prática do ciclismo, como botas de cano alto que impedem que a correia suje a calça de graxa etc.
Como não poderia deixar de ser, os cycle chics têm sua própria musa, a modelo, pretensa cantora e it-girl Agyness Deyn. A moça foi clicada inúmeras vezes, saracoteando por diversas capitais com sua bicicleta e em looks impecáveis! E não é somente na hora de vestir que os cycle chics capricham. Suas bicicletas têm design moderno, cores inusitadas e acessórios que vão muito além das prosaicas cestinha e buzina.
Agyness Deyn, a musa Cycle Chic. Foto de Stephen Lock. Imagem do site Daily Mail.


A cultura da bicicleta é amplamente difundida em metrópoles europeias e nas megalópoles asiáticas, como Pequim e Tóquio, onde o veículo é usado diariamente como meio de transporte dos trabalhadores. A missão dos “bicicleteiros” é tornar popular o uso desse que é talvez um dos meios de locomoção mais ecologicamente corretos existentes, na América. Parece que a estratégia já está sendo posta em prática. Foi só a vogue anunciar que andar de bicicleta era uma das melhores tendências de 2009 que as ruas de Barcelona, Nova York e Milão se encheram de it-girls sobre rodas!
Não só melhorar a qualidade do ar, essa nova tribo tem potencial para alavancar todo um nicho mercantil, afinal, fashionista que se preze não fica contente com uma bicicleta básica, tem de enchê-la de acessórios! O blog cyclechic.co.uk dispõe de inúmeros itens, que vão desde capacetes e luvas a bolsas super trendy e polainas divertidíssimas! O negócio já se mostrou muito lucrativo. Na China, o nicho – englobando venda de bicicletas, peças, acessórios e outros mimos – movimentou 1,5 milhão de dólares em 2009.
Em cidades como Amsterdam, Copenhague e Berlim, o Cycle Chic e o hábito de pedalar já estão arraigados na cultura local, mas em localidades menos desenvolvidas e, consequentemente, não tão preparadas para o tráfego de bicicletas, locomover-se de um lugar a outro fazendo uso das vélos torna-se quase impossível. A Prefeitura da Cidade de São Paulo inaugurou há alguns meses a Ciclofaixa, um percurso de 5 km que percorre algumas avenidas da cidade. Entretanto, o espaço só fica aberto uma vez por semana, por sete horas. O Brasil conta com apenas 600km de ciclovias, enquanto que Berlim dispõe de 625km de vias trafegáveis para bicicletas. Eu sei que comparar o Brasil à Europa é um pouco desleal. Tomemos como exemplo Bogotá, Colômbia tem 300km de ciclovias, em termos de proporção, uma vergonha para nosso país.
De maneira geral, a filosofia desse novo grupo social consiste em adequar a indumentária a esse hábito tão saudável e, porque não, elegante que é andar de bicicleta. A ideia é simples e muito boa, ciclismo urbano com estilo. O movimento existe no Brasil e a maioria dos adeptos se concentra em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Votos sinceros para que a moda pegue por aqui!


Casacos de tweed são tendência entre os Cycle Chics dos EUA.


Para quem quer saber mais sobre o assunto:



quarta-feira, 21 de abril de 2010

Adivinhe quem é a Rainha da Jordânia!!!

Podem dizer que é perseguição, que eu sou um fashion fascist e outras malediscências, mas o mandato presidencial está acabando e eu não posso desperdiçar as oportunidades que me surgem, n'est ce pas???


Como disse Guadalupe: Ay Jesús!

sábado, 10 de abril de 2010

Outono/Inverno Masculino 2010 Lacoste - Luxo e Riqueza!!!

Não, esse post não foi pago - ainda não sou tããão importante assim. Acontece que a coleção de outono /inverno 2010 da Lacoste está mesmo luxo e riqueza!
A linha da qual gostei tem um nome à la Prince: o famoso logo do crocodilo acompanhado por um ponto de exclamação vermelho - icônico assim.
O apelo geek-chic da linha é inegável. A modelagem é mais sequinha, ressaltando contornos mais longilíneos - skinny pride!!! A camisaria é muito interessante, pois une tom clássico, que já marca da Lacoste a cores fortes e vibrantes, que trazem a roupa para os dias atuais, dando-lhe ares contemporâneos.


Gostei muito da atenção que a marca deu aos detalhes - é aí que se ganha o cliente! Reparem que o forro do casaco da foto nº4 tem forração especial, em xadrez vichy (meu preferido) e que a sola do sapato no look da foto nº2 (meu look predileto) é amarela!!!
Além disso, a Lacoste sugere acessórios que podem ser usados com os looks, chic, n'est ce pas?


Mas, como nem tudo são flores, boa parte das peças não está à venda no Brasil. Mesmo assim, estou apaixonado por essa linha - e esses óculos, minha gente? I fell in love!!!
Portanto, não se esqueçam, se não quiserem errar na hora de me presentear, é só me dar Lacoste!, combinado?

domingo, 4 de abril de 2010

Pulseiras do Sexo - Moda e Imagem


            O começo dos anos 2000 e o surgimento dos clubbers trouxeram ao cenário fashion uma explosão de cores e looks cheios de acessórios e simbolismos. Os cabelos eram arrepiados e empastados de gel wet-look e as roupas extremamente coloridas. Nem os cadarços escapavam dos tons neon. Não tardou, os acessórios feitos de plástico e resina popularizaram-se. Eu me lembro de estar na escola e ver meninas correndo pra lá e pra cá pelo pátio com os braços cheios de pulseirinhas de resina coloridas. As pulseiras iam até os cotovelos! Depois de alguns meses todo mundo se cansou e foi jogar game boy color (estou ficando velho...).

            Faz algum tempo, subindo a Augusta, vi umas meninas, quinze anos, no máximo usando os acessórios que povoaram uma temporada de verão da minha vida. Percebi mais gente usando as pulseiras, inclusive os garotos. Estranhei um pouco, mas atribuí o comeback ao vintagismo. Fui pesquisar nos blogs e no twitter e fiquei meio apoplético. As “novas” pulseirinhas multicoloridas surgiram nas raves inglesas e se chamam jelly bracelets (pulseiras de geleia). Cada cor tem um significado, todos sexuais. É como um jogo de pêra, uva, maçã e salada-mista, só que desta vez envolvendo sexo oral.

            O sucesso das jelly bracelets traz à tona dois temas muito importantes: Os valores da sociedade moderna e a moda como uso da expressão de ideias e pensamentos. Não estou aqui para falar de valores.

            Vivemos, respiramos, consumimos, produzimos e exportamos sexo, qual a surpresa em vermos meninas e meninos de quatorze anos andando por aí com ele estampado nas testas? (Neste caso, nos pulsos). O resultado da equação Sexo + Hormônios Malucos + Cabeças Confusas não poderia ser outro. Desse ponto de vista, as jelly bracelets são apenas um produto de tudo o que esse pessoal consome e isso abre espaço para outras discussões, tais como o consumo consciente, a perda do auto-respeito e o desenvolvimento de senso crítico.

Foto de Flickr


            Já que moda é mensagem, qual então a diferença entre uma jelly azul e uma camiseta com os dizeres free blowjobs? O que impede uma massa de adolescentes de usar essas porn t-shirts hipotéticas é uma pontinha de pudor (ou de vergonha) que ainda existe – Percebeu que valores e moda são assuntos intrínsecos? Ainda falando sobre moda e mensagem, muitos dos que usam as jelly bracelets são crianças e adolescentes não sexualmente ativos. O que os levaria então a usar pulseirinhas que dizem que eles estão dispostos a fazer sexo e sabe lá mais o quê a troco de nada? - O status! A moda sempre esteve intimamente ligada ao status e esta não é a primeira vez que ela se relaciona ao status sexual, veja o exemplo da minissaia e do bikini em meados do século XX. Mesmo que o garoto nunca tenha dado um beijo na boca, todos os seus amigos ficarão impressionados quando o virem com uma jelly de cor X ou Y.

            As jelly bracelets são apenas mais um exemplo da influência do meio sobre o indivíduo. E como essa influência se traduz? Moda, meus caros! Suas roupas estão cheias de mensagens codificadas, impregnadas com a sua personalidade. Cabe apenas a você traduzir seus pensamentos em peças de vestuário. Como você quer que o mundo te veja?